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Afinal, Fé ou Razão?

  • Foto do escritor: Luan Tavares
    Luan Tavares
  • 26 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 27 de ago. de 2020

É comum ouvir hoje muitas criticas contra a igreja (especialmente quando se trata de história), de "como na idade média a igreja proibia o estudo das ciências ou da filosofia", ou "a igreja condena o uso da razão para explicar o mundo", chega ao ponto até de se ouvir que "a igreja matava os cientistas e estudiosos", entre outros.


O grande problema ouvindo esses discursos (que são mentirosos), é que acabamos induzidos a imaginar que a fé, sendo algo que nos leva ao que é transcendente, é incompatível com o pensamento racional, já que este se detém na lógica humana. Assim também, podemos cair na tentação de pensar que: "já que somos católicos, precisamos dar mais importância para a fé", e nisso ignorar o estudo, a vida intelectual ou a reflexão. No entanto, é preciso entender que nossa vida religiosa não pode estar à parte das realidades que nos rodeiam e muito menos do que existe em nós mesmos.


Mas o fato é que: separar a fé da razão não é, e nunca foi um pensamento cristão católico! É aí que cai por terra todos aqueles tipos de acusações contra a igreja.

Podemos citar aqui Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, grandes filósofos e intelectuais da igreja, o padre Georges Lemaître, astrônomo e criador da teoria do big bang (isso mesmo, foi um padre que pensou no big bang), Nicolau Copérnico, que criou a teoria do heliocentrismo, e tantos outros católicos que foram grandes pensadores e até cientistas, para exemplificam que a fé não se contrapõe a razão e muito menos a razão anula a fé.


No entanto, em toda a sagrada escritura e na doutrina da igreja, é possível encontrar a defesa da racionalidade, junto a fé, para a vida cristã.

Como diz o Papa São João Paulo II na encíclica "fides et ratio":


"A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade."

As duas andam de "mãos dadas"; assim como um pássaro sem uma de suas asas é incapaz de voar, também nós, se nos descuidarmos de uma delas, não seremos capazes de chegar ao conhecimento da verdade.

Dessa maneira, a razão humana, muito além de solucionar as questões naturais, de criar grandes teorias para explicar o universo, ou de fazer grandes descobrimentos revolucionários, quando bem ordenada, é capaz de nos elevar à um conhecimento ainda maior de Deus e da criação. Isso é o mais belo e profundo nela!


É certo que Deus está muito além de nossa lógica e inteligência, e pela fé podemos crer firmemente nisso! Entretanto, a inteligência é um dom, pois o Senhor, em sua infinita sabedoria, criou-nos à sua imagem e semelhança, e nos fez dotados de racionalidade. É por isso, que naturalmente temos curiosidade em conhecer aquilo que nos rodeia e o sentido de nossa existência. Tudo isso porque, em nossa essência há o anseio e pela verdade, verdade essa que é o próprio Criador.


"Pela razão natural, o homem pode conhecer Deus com certeza, a partir das suas obras." (Dei filius - Concilio Vaticano I)

Desde a obra da criação até a vinda de Cristo ao mundo, foi Deus quem primeiramente se revelou ao homem, e nós aceitamos e cremos nessa revelação pela fé. Contudo, é pela reflexão racional que podemos confirmá-la, e adquirir uma maior compreensão dela, e assim, contemplar mais profundamente aquele que a revelou.


Desse modo, é notório que a racionalidade, indiscutivelmente, é um instrumento para se chegar a Deus, e por isso, torna-se até necessária para a vida de fé.


"Pois é a partir da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor" (Sabedoria 13, 5)

Como diz o versículo, na obra visível de Deus, pela lógica de nossa racionalidade, somos capazes de enxergar o criador que é invisível, e assim, conhecê-lo pelos traços de sua criação, e de compreender ainda mais a própria existência do criado. Dessa forma, vê-se que, seja qual for o modo, quanto mais investigamos, mais indagamos, estudamos e refletimos, mais estaremos próximos da verdade, e assim, mais próximos do Deus que é a verdade.


"Eu creio para compreender, mas eu compreendo para crer" (Santo Agostinho)

Enfim, por esse motivo, devemos ordenar através da graça de Deus (na oração e vida sacramental), no estudo, e na reflexão, nossa racionalidade e inteligência, para que ela nos leve à uma fé mais sólida e verdadeira! Mas também, tenhamos cautela para não cairmos no extremo racionalista (somente razão), de resumir Deus à compreensão lógica do ser humano (pois disso nunca seremos capazes), ou na imaturidade fideista (somente fé) de excluir a racionalidade, da buscar de Deus.


Como a igreja sempre nos ensina: busquemos o equilíbrio, pois fé e razão são dons do Senhor, por isso, devem ser utilizados para nos aproximar dEle!


....


Obs: Se você desejar se aprofundar mais sobre esse assunto, indico a Encíclica "fides et ratio" , do Papa São João Paulo II



(Aqui é o Luan Tavares, e estou aqui como novo colaborador do blog hehe)

Espero que tenham gostado! Deus Abençoe!




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