A ficção e a ascensão a Deus
- Débora Silva

- 8 de abr. de 2020
- 3 min de leitura
A riqueza das leituras espirituais sempre atraiu muitas pessoas para a busca da santidade, fossem elas já envolvidas com a religião ou não. No entanto há um outro gênero literário que pode ser um grande auxílio nesta busca, a ficção. Através dela somos capazes de aprender atitudes heróicas que se equiparam com as dos santos se soubermos olhar pelo ângulo certo.

Saber tirar lições dos acontecimentos que nos cercam é algo que deve ser sempre praticado, para que assim possamos crescer enquanto pessoas e enquanto cristãos. Da mesma forma, tirar lições de tudo aquilo que lemos também. Nos livros de ficção encontram-se vários tipos de personagens que passam por diversas situações, das quais, através da forma como eles lidam com elas e a partir das consequências de seus atos, podemos tirar bons aprendizados que podem nos ajudar na busca pela santidade. Principalmente quando se tratam de estórias em que o personagem principal demonstra virtudes que se encontram "fora de moda" nos nossos tempos, como a honra e a bravura.
É possível meditar sobre a vida de personagens ficcionais

Se pararmos para analisar o livro "O Senhor dos Anéis", de J.R.R Tolkien (um dos meus favoritos), encontraremos grandes exemplos de amizade, como a de Legolas (Elfo) e Gimli (Anão), que apesar da rixa que se trava entre os anões e os Elfos, são capazes de desenvolver uma forte amizade, cheia de confiança e lealdade. Também se encontram exemplos de bravura e auto-sacrifício pelo bem maior, como Gandalf, Frodo, Sam, entre tantos outros, que estão dispostos a enfrentar a grande missão que receberam para salvar a Terra Média, mesmo sabendo que esta poderia ser uma jornada sem retorno. Além dos vários momentos em que é possível fazer um link entre a estória que nos é contada e profundos conhecimentos teologais e bíblicos (recomendo assistir o curso realizado pelo Pe. Paulo Ricardo sobre).
Já na obra "Inocência", de Visconde de Taunay, podemos ver o quanto a desordem na compreensão de qual deve ser a relação entre homem e mulher pode ser nocivo, uma vez que nos é apresentado uma relação de pai e filha na qual o pai demonstra uma completa desconfiança da natureza feminina, reprimindo o acesso da filha ao mundo e ao conhecimento, arranjando para ela um casamento que a faria infeliz, uma vez que seu noivo se tratava de um homem bruto e agressivo. Ao mesmo tempo, é belo observar o quanto a pureza inocente e a profunda devoção da moça são capazes de mudar o coração do personagem principal, um jovem que viajava pelo interior do Brasil trabalhando como médico, produzindo assim um amor casto e fiel, que faz o rapaz lembrar de seus valores.
No entanto, vale a pena ressaltar que nem toda literatura é capaz de produzir boas reflexões, embora sim, precisamos ler livros que estejam fora da nossa zona de conforto de vez em quando, é preciso saber discernir até que ponto aquela cena que estou lendo pode ser aproveitada ou não. Por ter a capacidade de imprimir emoções no leitor, os livros também podem se apresentar como pedra de tropeço, uma vez que podem influenciar a luxúria, exaltar a desobediência e a soberba, ferir a pureza, e desprezar os valores que deveriam ser vistos como essenciais, reduzindo-os a algo que apenas tolos praticam. Sendo assim devemos sempre nos perguntar: Estou aprendendo algo com isso? se não, será que devo continuar?
Lembremos o que o Apóstolo São Paulo nos ensinou através de sua carta:
"Examinai tudo: abraçai o que é bom" I Ts 5, 21
Esse foi o post de hoje, espero que tenha lhe ajudado a ver a as obras ficcionais por um novo ângulo. Até a próxima!
Imagens retiradas do Pinterest




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