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O Sentimento na vida espiritual

  • Foto do escritor: Luan Tavares
    Luan Tavares
  • 6 de nov. de 2020
  • 3 min de leitura


Deus nos criou, do jeito que somos, para sermos santos. Por isso, tudo em nós precisa se elevar para esse propósito transcendente, que é a união completa com Deus.

É certo que possuímos uma alma imortal, e é nela que vivemos a plena comunhão com o Senhor e contemplamos a sua presença. Contudo, ainda nessa vida, Deus deseja que pertençamos a Ele com todo o nosso ser, inclusive no corpo e suas faculdades.


Vós que sois o templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vós. (conf. 1 Cor 3, 16)

Sabemos que somos esse templo, e nele existe um corpo de carne e osso, um intelecto, temperamentos, personalidade, sentimentos, emoções, e tantas outras coisas que nos caracterizam. Somos seres humanos, e fomos criados por Deus com tudo isso.


Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus. (1 Cor 6,20).

Ninguém é um robô, que vive apenas da lógica programada e uma inteligência artificial. Os sentimentos fazem parte de nossa vida, trazem sabor, nos impele em muitas de nossas atitudes, nos ajudam a perceber a nós mesmos e o que nos rodeia; eles são nossa aptidão para sentir, para apreciar, perceber o belo, nos gerar as emoções, e expressões humanas. Os sentidos são entisico a natureza do homem, nos levam para além daquilo que é material, e nisso, podem nos elevar ao Criador.


Desse modo, na espiritualidade os sentidos possuem sua importância, já que a vida com Deus não pode ser uma relação apenas racionalista ou intelectual, mas uma relação de amor.


Nós amamos porque Ele nos amou primeiro. (1 Jo 4, 19)

Deus está perto de nós, é nosso pai amoroso, e podemos nos relacionar com Ele. Dessa maneira, os sentidos nos dão a possibilidade de expressar exteriormente nossos afetos à esse bom pai e de experimentar as consolações que ele deseja derramar. Os sentidos dispõem nossa alma para a oração e para o fervor por Deus, e podem imprimir em nós grandes experiências de fé. Especialmente no início da vida espiritual e da caminhada, por exemplo, os sentidos são um grande instrumento para experimentar o amor de Deus e nos abrir para a busca da verdade.


Deus deseja agir e santificar todo o nosso ser, sem reserva alguma. Desse modo, assim como Ele se utiliza da inteligência, da razão ou de outras qualidades humanas para nossa santificação, também pode usar dos sentidos, emoções e afetos para imprimir em nós sua graça.


Por outro lado, é preciso entender, que mesmo sendo bons, os sentimentos e as emoções não são condições ou critérios necessários para a comunhão com Deus.

Os sentimentos são reações e impressões do nosso humano ao depara-se com o toque do amor de Deus. No entanto, essas impressões passam! Pois, por nossa natureza decaída pelo pecado somos inconstantes. Por isso, Deus pode muito bem derramar suas graças sem qualquer manifestação de sentimento e emoção em nós, assim com, também nós podemos estar em sua presença e ama-lo imensamente sem ter sensibilidade alguma.

É verdade que a graça muitas vezes utiliza-se de nossos sentimentos humanos para se comunicar a nós (quem nunca se emocionou na adoração contemplando o amor de Deus, ou rezou fervorosamente ouvindo uma bela música, olhando um crucifixo, assistindo uma pregação ? etc...).


Entretanto, não podemos tornar-nos escravos desse "sentir", pois eles vão e vem, e não são uma regra e muito menos medidores da graça.


Além disso, o fim único de nossa espiritualidade é o próprio Senhor, não as sensações, os consolos e os gostos que Ele pode nos dar, mas aquilo que verdadeiramente Ele é, o Senhor e amado de nossas vidas, aquele a quem devemos perseguir com determinação e não meras emoções.


É por isso que Deus permite em nossa caminhada, como vemos na vida de muitos santos, as securas e desertos espirituais. Quando as emoções, os gostos, consolações, afetos e ardor somem; quando pelos sentidos, parece que Deus está longe. Tudo isso, porque também nossa sensibilidade precisa ser ordenada e amadurecida, não mais para nossa própria satisfação, mas para que, apesar de tudo, se eleve a Deus e a comunhão verdadeira com sua vontade.


Por fim, os sentimentos fazem parte de nós e possuem sim seu papel na vida espiritual, não devendo ser desprezados. Todavia, é em uma decisão firme e vontade verdadeira que nossa espiritualidade deve ser firmada, pois no silêncio dos sentidos, elas que nos fazem permanecer no amor e na comunhão verdadeira com Deus.


Coloquemos em suas mãos nossos sentidos, deixando que Ele os utilize e ordene como quiser, para o nosso bem e para que tudo em nós se configure a Ele. Pois Nossa intimidade com o Deus não deve se deter no sentir muitas coisas, mas no determinar-se em ama-lo e servi-lo bem.



Espero que tenham gostado!

Fiquem com Deus e até a próxima!



 
 
 

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